19 de dez de 2011

NATAL, SIM OU NÃO?

        A época do natal é sempre muito festiva. Alguns, porém, defendem a tese de que as comemorações natalinas não passam de uma associação da igreja com o mundanismo. Alguns enfatizam e choram ao defender que árvores de natal com suas luzes piscando dentro da Igreja são pecados tão graves como o pecado contra o Espírito Santo. Enfim, diante de muitos mitos e uma situação que tive que lidar dias atrás, segue abaixo uma compilação de paráfragos do livro "O Lar Adventista" (cap. 77), de Ellen G. White. De fato, eu acredito que o Natal é muito mais do que alguns pensam. Use com sabedoria esses textos e que sejamos todos muito abençoados.

"Aproxima-se o Natal, eis a nota que soa através do mundo, de Norte a Sul e de Leste a Oeste. Para os jovens, de idade imatura, e mesmo para os de mais idade, é este um período de alegria geral, de grande regozijo. Mas o que é o Natal, que assim exige tão grande atenção?
O dia 25 de dezembro é supostamente o dia do nascimento de Jesus Cristo, e sua observância tem-se tornado costumeira e popular. Entretanto não há certeza de que se esteja guardando o verdadeiro dia do nascimento de nosso Salvador. A História não nos dá certeza absoluta disto. A Bíblia não nos informa a data precisa. Se o Senhor tivesse considerado este conhecimento essencial para a nossa salvação, Ele Se teria pronunciado através de Seus profetas e apóstolos, para que pudéssemos saber tudo a respeito do assunto. Mas o silêncio das Escrituras sobre este ponto dá-nos a evidência de que ele nos foi ocultado por razões as mais sábias.
Em Sua sabedoria o Senhor ocultou o lugar onde sepultou Moisés. Deus o sepultou e Deus o ressuscitou e o levou para o Céu. Este procedimento visava prevenir a idolatria. Aquele contra quem se haviam rebelado quando estava em serviço ativo, a quem haviam provocado quase além dos limites da resistência humana, era quase adorado como Deus depois de separado deles pela morte. Pela mesma razão é que Ele ocultou o dia preciso do nascimento de Cristo, para que o dia não recebesse a honra que devia ser dada a Cristo como Redentor do mundo - Aquele que deve ser recebido, em quem se deve crer e confiar como Aquele que pode salvar perfeitamente todos os que a Ele vêm. A adoração da alma deve ser prestada a Jesus como o Filho do infinito Deus. Review and Herald, 9 de dezembro de 1884".

O Dia não Deve Ser Passado por Alto
"Sendo que o dia 25 de dezembro é observado em comemoração do nascimento de Cristo, e sendo que as crianças têm sido instruídas por preceito e exemplo que este foi indubitavelmente um dia de alegria e regozijo, será difícil passar por alto este período sem lhe dar alguma atenção. Ele pode ser utilizado para um bom propósito.
A juventude deve ser tratada com muito cuidado. Não devem ser deixados no Natal a buscar seus próprios divertimentos em prazeres vãos, em diversões que lhes rebaixarão a espiritualidade. Os pais podem controlar esta questão voltando à mente e as ofertas dos filhos para Deus e Sua causa e a salvação de almas.
O desejo de divertimentos, em vez de ser contido e arbitrariamente sufocado, deve ser controlado e dirigido mediante paciente esforço da parte dos pais. Seu desejo de dar presentes deve ser levado através de puros e santos canais e feitos resultar em bênção ao nosso próximo graças à manutenção do tesouro na grande e ampla obra para a qual Cristo veio ao mundo. Abnegação e espírito de sacrifício assinalaram Sua conduta. Seja isto também o que assinale os que professam amar a Jesus, porque nEle está centralizada nossa esperança de vida eterna. Review and Herald, 9 de dezembro de 1884".

Natal - Ocasião Para Honrar a Deus
"Pelo mundo os feriados são passados em frivolidades e extravagância, glutonaria e ostentação. Milhares de dólares serão gastos de modo pior do que se fossem lançados fora, no próximo Natal e Ano Novo, em condescendências desnecessárias. Mas temos o privilégio de afastar-nos dos costumes e práticas desta época degenerada; e em vez de gastar meios meramente na satisfação do apetite, ou com ornamentos desnecessários ou artigos de vestuário, podemos tornar as festividades vindouras uma ocasião para honrar e glorificar a Deus.
Cristo deve ser o objetivo supremo; mas da maneira em que o Natal tem sido observado, a glória é desviada dEle para o homem mortal, cujo caráter pecaminoso e defeituoso tornou necessário que Ele viesse ao nosso mundo.
Jesus, a Majestade do Céu, o nobre Rei do Céu, pôs de lado Sua realeza, deixou Seu trono de glória, Sua alta posição, e veio ao nosso mundo para trazer ao homem caído, debilitado nas faculdades morais e corrompido pelo pecado, auxílio divino.
Os pais deviam trazer essas coisas ao conhecimento de seus filhos e instruí-los mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, em suas obrigações para com Deus - não suas obrigações de uns para com os outros, de honrarem-se e glorificarem-se uns aos outros por presentes e dádivas. Review and Herald, 9 de dezembro de 1884".

"Devemos Armar uma Árvore de Natal?"
"Deus muito Se alegraria se no Natal cada igreja tivesse uma árvore de Natal sobre a qual pendurar ofertas, grandes e pequenas, para essas casas de culto. Têm chegado a nós cartas com a interrogação: Devemos ter árvores de Natal? Não seria isto acompanhar o mundo? Respondemos: Podeis fazê-lo à semelhança do mundo, se tiverdes disposição para isto, ou podeis fazê-lo muito diferente. Não há particular pecado em selecionar um fragrante pinheiro e pô-lo em nossas igrejas, mas o pecado está no motivo que induz à ação e no uso que é feito dos presentes postos na árvore.
A árvore pode ser tão alta e seus ramos tão vastos quanto o requeiram a ocasião; mas os seus galhos estejam carregados com o fruto de ouro e prata de vossa beneficência, e apresentai isto a Deus como vosso presente de Natal. Sejam vossas doações santificadas pela oração.
As festividades de Natal e Ano Novo podem e devem ser celebradas em favor dos necessitados. Deus é glorificado quando ajudamos os necessitados que têm família grande para sustentar. Manuscrito 13, 1896".

Árvore de Natal com Ofertas Missionárias não é Pecado
"Não devem os pais adotar a posição de que uma árvore de Natal posta na igreja para alegrar os alunos da Escola Sabatina seja pecado, pois pode ela ser uma grande bênção. Ponde-lhes diante do espírito objetos benevolentes. Em nenhum caso o mero divertimento deve ser o objetivo dessas reuniões. Conquanto possa haver alguns que transformarão essas reuniões em ocasiões de descuidada leviandade, e cujo espírito não recebeu as impressões divinas, outros espíritos e caracteres há para quem essas reuniões serão altamente benéficas.
Estou plenamente convicta de que inocentes substitutos podem ser providos para muitas reuniões que desmoralizam. Review and Herald, 9 de dezembro de 1884".

Providenciar Recreação Inocente Para o Dia
"Não vos levantaríeis, meus irmãos e irmãs cristãos, cingindo-vos a vós mesmos para o dever no temor do Senhor, procurando arranjar este assunto de tal maneira que não seja árido e desinteressante, mas repleto de inocente prazer que leve o sinete do Céu? Eu sei que a classe pobre responderá a estas sugestões. Os mais ricos também devem mostrar interesse e apresentar seus donativos e ofertas proporcionalmente aos meios que Deus lhes confiou. Que se registrem nos livros do Céu um Natal como jamais houve em virtude dos donativos que forem dados para o sustento da obra de Deus e o reerguimento do Seu Reino. Review and Herald, 9 de dezembro de 1884".

20 de out de 2011

A BÍBLIA PROCEDE DO CÉU


Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a
excelência do poder seja de Deus e não de nós. II Coríntios 4:7
    
     "É assim que Deus Se agradou comunicar Sua verdade ao mundo por meio de agências humanas que Ele próprio, pelo Seu Espírito, faz idôneas para essa missão, dirigindo-lhes a mente no tocante ao que devem falar ou escrever. Os tesouros divinos são deste modo confiados a vasos terrestres sem contudo nada perderem de sua origem celestial. O crente submisso descobre a virtude divina, superabundante em graça e verdade.
     Os escritores da Bíblia tiveram de exprimir suas idéias em linguagem humana. Ela foi escrita por seres humanos. Esses homens foram inspirados pelo Espírito Santo. Devido a imperfeições da compreensão humana da linguagem, ou da perversidade da mente humana, hábil em fugir à verdade, muitos lêem e entendem a Bíblia de maneira a se agradarem a si mesmos. Não é que a dificuldade esteja na Bíblia.
     As Escrituras foram dadas aos homens, não em uma cadeia contínua de ininterruptas declarações, mas parte por parte através de sucessivas gerações, à medida que Deus, em Sua providência, via apropriada ocasião para impressionar o homem nos vários tempos e diversos lugares. Os homens escreveram segundo foram movidos pelo Espírito Santo.
     Nem sempre há perfeita ordem ou aparente unidade nas Escrituras. As verdades da Bíblia são como pérolas ocultas. Devem ser buscadas, desenterradas mediante penosos esforços. Os que apanham apenas uma apressada visão das Escrituras hão de, com seu conhecimento superficial que eles julgam muito profundo, falar nas contradições da Bíblia, e pôr em dúvida a autoridade das Escrituras. Aqueles, porém, cujo coração se acha em harmonia com a verdade e o dever, pesquisarão as Escrituras com o coração preparado para receber impressões divinas. A alma iluminada vê unidade espiritual, um grande fio de ouro através do todo, mas requer paciência, reflexão e oração o rastrear o áureo fio precioso".
Ellen G. White, Mensagens Escolhidas - vol. 1, págs. 19 e 20.

17 de out de 2011

CUIDADO ESPECIAL PELO REBANHO


 "Sabei que o Senhor é Deus; foi Ele quem nos fez, e dEle somos;
somos o Seu povo, e rebanho do Seu pastoreio". Salmo 100:3

     "Jesus conhece as necessidades de cada uma de Suas criaturas, e lê a dor oculta, recalcada de cada coração. Se um dos pequeninos por quem Ele morreu é ofendido, Ele o vê, e chama a contas o ofensor. Jesus é o Bom Pastor. Cuida de Suas ovelhas fracas, enfermas e desgarradas. Conhece-as todas pelo nome. Toca-Lhe o coração cheio de compassivo amor e aflição de toda ovelha e todo cordeiro de Seu rebanho, e chega-Lhe ao ouvido o brado de socorro. Um dos maiores pecados dos pastores de Israel, é assim apontado pelo profeta: "A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. Assim, se espalharam, por não haver pastor, ... sem haver quem as procure, nem quem as busque". Ezequiel 34:4-6.
     Como Divindade, exerce forte poder em nosso favor, ao passo que, como nosso Irmão mais velho, sente todas as nossas tristezas. A Majestade do Céu não se manteve distante da humanidade degradada e pecaminosa. Não temos um sumo sacerdote que Se ache tão alto, tão exaltado que nos não possa notar ou compadecer-Se de nós, mas um que, em tudo, foi tentado como nós somos, ainda que sem pecado.
     Tereis muitas perplexidades a enfrentar em vossa vida cristã em relação com a igreja; porém, não vos esforceis demasiadamente por moldar vossos irmãos. Se vedes que não satisfazem as reivindicações da Palavra de Deus, não condeneis; se provocam, não retribuais na mesma moeda. Quando dizem coisas de molde a exasperar, guardai quietamente vossa alma de irritação. Deveis trabalhar pelos errantes com o coração subjugado, enternecido pelo Espírito de Deus, e deixai que o Senhor opere por meio de vós, o instrumento. Passai vossos fardos a Jesus. Achais que o Senhor precisa tomar a Si o caso quando Satanás está se esforçando por dominar alguma pessoa; mas deveis fazer o que estiver ao vosso alcance com humildade e mansidão, e pôr a emaranhada obra, as questões complicadas, nas mãos de Deus. Segui as direções dadas em Sua Palavra, e deixai o resultado com Sua sabedoria. Havendo feito tudo quanto podeis para salvar um irmão, deixai de afligir-vos e prossegui calmamente com os outros deveres urgentes. Aquilo não vos pertence mais, porém a Deus.
     Não corteis, movido de impaciência, o nó da dificuldade, tornando o caso desesperado. Permiti que Deus desembarace por vós os enredados fios. Ele é bastante sábio para lidar com as complicações de nossa vida. Ele tem tato e habilidade. Nem sempre Lhe podemos compreender os planos; precisamos esperar pacientemente o seu desdobramento, e não estragá-los ou destruí-los. A seu tempo, Ele no-los revelará. Buscai unidade; cultivai amor e conformidade com Cristo em tudo. Ele é a fonte da unidade e da força; Se procedeis como Deus quer que façais, Sua bênção virá à igreja".
Ellen G. White, Testemunhos Seletos - vol. 2, págs. 115-117.

14 de out de 2011

ÚLTIMOS DIAS



     Mais puro, mais santo, mais perto de Ti! Vivemos os últimos dias da história de uma raça rebelde e pecaminosa. Mais do que em qualquer outra época este é o momento de vigiarmos e orarmos com mais intensidade buscando, de verdade, uma preparação eficaz para não sucumbirmos junto com a erradicação do pecado provocada pela glória vindoura de Jesus Cristo.
     ÚLTIMOS DIAS é o tema da Vigília Jovem do Distrito de Formosinha. Esta será a vigília do "reencontro". Convites estão sendo distribuídos a todos aqueles que um dia estiveram conosco na Igreja. Continuam sendo nossos amigos, mas queremos todos eles de volta. A presença deles nesta vigília marcará o retorno para os braços de Jesus. E nós já estamos de braços abertos!
     Você é nosso convidado especial!!!


Dia          22 de Outubro
Horário    17:00 - 24:00
Local       IASD de Formosinha (SEDE)
              Av. Maestro João Luiz do Espírito Santo, s/n
              Bairro Formosinha  -  Formosa/GO

Convidados especiais      Pollyanna Sampaio || Pr. Washington Silva ||
                                  Grupo Reencontro || Mãos e Tons ||
                                  Pr. Bruno Galvão || Vitor Abraão
                                  Pr. Gilson Montin || Prof. Paulo Sampaio
                                  Suellen Maia

24 de ago de 2011

CRESCIMENTO EM 4 DIREÇÕES


De acordo com o 2º Fórum de Pequenos Grupos da Divisão Sul-Americana, ocorrido em Novembro de 2008, a visão sobre os pequenos grupos é que “sejam a estrutura espiritual e relacional básica da igreja e das ações relacionadas ao pastoreio, discipulado, e à participação dos membros, de acordo com os seus dons espirituais no cumprimento da missão; constituindo-se em um estilo de vida para cada adventista do sétimo dia e que os departamentos da igreja e seus programas sejam facilitadores no desenvolvimento dos pequenos grupos e que estes sejam o veículo adequado do programa da igreja”[1].
Por isso, a palavra que deve permear as discussões e ações eclesiásticas Adventista do Sétimo Dia deve ser propósito.
O pequeno grupo como estilo de vida da igreja contemporânea, cumprindo seu papel através da missão dada por Jesus aos discípulos em Mateus 28:18-20, e que nos alcança hoje, visa o crescimento holístico de todos os seus integrantes ora membros de igreja sofrendo ação diária do Espírito Santo transformando-os em verdadeiros discípulos.
Devemos correr, mas pela estrada certa. Assim como a comunidade cristã primitiva crescia harmonicamente e a visão compartilhada era consolidada de forma automática com “os que iam sendo salvos” segundo Atos 2:42-47, os pequenos grupos promovem suas ações compartilhando a visão buscando sua consolidação em 4 níveis de envolvimento e crescimento a saber: para cima, para dentro, para fora e para frente.
Nomeamos o nível de crescimento para cima como o relacionamento com Deus, e este nível é primário. O pequeno grupo sendo uma família em essência busca ser relevante para a comunidade onde está inserida, para a comunidade religiosa a qual pertence e ainda, busca formar líderes para que o legado deixado durante os dias de convivência seja posterizado inclusive através da multiplicação de seu núcleo.
Para que os objetivos sejam alcançados, o pequeno grupo precisa buscar a ação do poder divino e sobrenatural sobre si. “Nossa afeição de uns pelos outros provém de nosso relacionamento comum com Deus. Somos uma família, amamo-nos uns aos outros como Ele nos amou”[2]. De acordo com a citação, amizade e níveis de relacionamento mais relevantes dependem exclusivamente de uma relação íntima com Deus. Ainda, uma palavra de destaque é “comum” que em seu contexto literário sugere não apenas o relacionamento de uma pessoa com Deus, mas de todo o grupo.
A conquista de pessoas das trevas para a luz depende de um relacionamento íntimo com Deus onde o Espírito Santo pode agir transformando o coração e a mente de cada indivíduo. Ao refletirmos sobre a vida de Enoque, percebemos claramente os passos de um relacionamento saudável com Deus onde o seu desinteresse material tinha o mesmo valor da busca incessante por um coração renovado e que transbordasse as virtudes de Seu Mantenedor. Seus encontros com Deus eram contínuos e de agradável intimidade onde pensamentos vivos do Pai estavam diante de si próprio. “Ao sair e ao entrar, suas meditações eram na bondade, na perfeição e na amabilidade do caráter divino. E, ao estar assim absorto, foi transformado na gloriosa imagem de seu Senhor; pois é contemplando que somos transformados”[3].
Portanto, neste escopo, ações como retiros espirituais, semanas de reavivamento espiritual, vigílias, jejuns, cultos na madrugada, correntes de oração, estudo sistemático da Bíblia e da lição da escola sabatina, culto familiar, entre outros, são fundamentais para o desenvolvimento de uma vida contemplativa de Deus e Seu amor. Mateus 6:33 é um convite a priorizarmos o essencial: “Busquem, pois, em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas”.
Outro nível de crescimento dos pequenos grupos é para dentro. Neste, busca-se um nível de cumplicidade maior. O objetivo é que ao buscar a Deus e crescer num relacionamento com Ele, automaticamente cresça-se também o relacionamento entre as pessoas. Sidinei Mendes, em seu artigo “Ampliando a Visão”, sugere que “o grande benefício da dimensão ‘para dentro’ é o senso de cuidado e pastoreio”[4]. Como podemos cuidar um do outro de forma legítima?
O amor a Deus transforma o ser humano de tal forma e nos dá a visão do “próximo” em que nunca estaremos satisfeitos e descansados enquanto ele não estiver cuidado e, pelo menos, em circunstâncias equivalentes as que nós mesmos. Esse é um discurso antigo da Bíblia, ignorado por certo tempo, mas divino, e que sugere uma mudança radical de atitude. A verdadeira vida em comunidade, e o pequeno grupo propicia isto, faz com que o próximo seja o foco da existência.
Quando pensamos no nível de crescimento “para dentro”, racionalizamos que a vida de um faz parte da vida do outro. Você entra na vida do outro e a vida do outro entra na sua. Todos juntos, unidos e misturados louvam ao Senhor. Pessoalmente, tenho a parábola do bom samaritano como uma das expressões de cuidado mais ricas que a Bíblia contém. O relato bíblico encontra-se em Lucas 10:25-37. Ao descrever a parábola do bom samaritano, Ellen White afirma que não necessariamente o “próximo” deva ser alguém da nossa igreja ou que professe a mesma fé, mas pode ser. Independe raça, classe ou cor. Ela afirma que o “nosso próximo é todo aquele que necessita de nosso auxílio. Nosso próximo é toda alma que se acha ferida e quebrantada pelo adversário. Nosso próximo é todo aquele que é propriedade de Deus”[5].
Este relato uma descrição de Jesus e Sua missão. É o manifesto de Sua vida. Ao cuidar de nós, Jesus dá o exemplo daquilo que devemos praticar em comunidade. Textos bíblicos como João 13:34-35 e I João 2:6 mostram que Jesus exige ação em favor de outrem se quisermos ser participantes de Sua glória. Na visão “para dentro” cuidado e pastoreio só sabe o que é quem investe tempo praticando. Deus requer a utilização do máximo de nossas possibilidades e nossa grande afeição em favor da comunidade.
Atividades que promovam o cuidado, o pastoreio e o fortalecimento relacional são grandemente estimuladas para que o pequeno grupo cresça na visão “para dentro”. Visitação, pic-nics, cultos de pôr-do-sol, “junta-panelas”, entre outros são atividades extremamente estimuladas.
Ao intencionarmos maior relacionamento com Deus (para cima) e com a comunidade (para dentro) encontramos a necessidade de crescer para fora. O evangelismo de Jesus era intencional e seguia passos bem claros. “Unicamente os métodos de Cristo trarão verdadeiro êxito no aproximar-se do povo. O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: ‘Segue-Me’”[6].
Esse era o método de Cristo. Hoje existem muitas frentes missionárias na Igreja, como as duplas missionárias, o ministério da recepção, o ministério pessoal, a coordenação dos interessados, entre outros, que diante de treinamento e capacitação alcançam êxito em seu trabalho. Entendo que a ação destes ministérios associado à visão do “método de Cristo” tornará mais eficaz qualquer ação “para fora”, pois o Seu evangelismo era discipulador.
O evangelismo começa quando pensamos com quem vamos nos misturar e como nos identificaremos com o público-alvo. A partir dessa convivência, conhecendo as necessidades do próximo e agindo para lhes atender fazendo o máximo por supri-las, como já foi dito, uma relação de confiança e amizade estabelecida é cada vez mais solidificada. As verdades eternas compartilhadas nessa convivência são como marcas feitas em rocha que o tempo não consegue apagar. Quando o próximo é o alvo da minha ação, de tudo aquilo que Deus já fez em mim, então o evangelho “para fora” é compartilhado em sua plenitude, pois a reação de quem recebeu será compartilhar da mesma forma que um dia Cristo o fez.
O ambiente relacional do pequeno grupo sempre foi propício ao evangelismo. Grandes resultados já foram alcançados. A visão do “método de Cristo” no nível de crescimento “para fora” tem proporcionado um verdadeiro reavivamento espiritual, além da consolidação da mentalidade do evangelismo discipulador bem como um crescimento saudável notório na Igreja.
Por último, o nível de crescimento para frente busca estimular os líderes a (1) buscar e capacitar outros líderes através de oração e acompanhamento, discipulado e treinamento e (2) a manter viva a chama do evangelismo e multiplicação do pequeno grupo para que o legado seja passado adiante e a missão cumprida cabalmente.
O treinamento prático possibilitará cada membro do pequeno grupo a entender sua posição e todos unidos se tornarão um corpo eficaz da pregação do evangelho.
O nível “para frente” é de suma importância, pois trabalhará através do líder do pequeno grupo, em cada membro, o encorajamento, o desprendimento missionário, delegação de responsabilidades, avaliações, a multiplicação do pequeno grupo, o discipulado. É no ambiente desse nível de crescimento onde se revelam os futuros líderes da estrutura do pequeno grupo desde o anfitrião até o coordenador.
Diante do exposto acerca dos 4 níveis de crescimento dos pequenos grupos, sabe-se de uma visão, missão e propósito compartilhados e vividos, uma direção segura onde cada comunidade pode caminhar desenvolvendo-se cada vez mais e cumprindo a missão de Mateus 28:18-20 sendo relevante no contexto geográfico onde estão inseridos.



[1] CHAVES, Jolivê; TIMM, Alberto R. (Org.). Pequenos Grupos: Aprofundando a Caminhada. Tatuí: Casa Publicadora
       Brasileira, 2011. p. 232-233.
[2] WHITE, Ellen G. Mente, Caráter e Personalidade, vol. 1. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1998. p. 211.
[3] WHITE, Ellen G. Exaltai-O (Meditações Matinais). Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1992. p. 266.
[4] CHAVES, Jolivê; TIMM, Alberto R. (Org.). Pequenos Grupos: Aprofundando a Caminhada. Tatuí: Casa Publicadora
       Brasileira, 2011. p. 167.
[5] WHITE, Ellen G. O Desejado de Todas as Nações. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2007. p. 353.
[6] WHITE, Ellen G. A Ciência do Bom Viver. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2008. p. 143.

6 de ago de 2011

AMOR EXTRAVAGANTE

     Jesus estava a caminho de Jerusalém, por ocasião da festa da Páscoa. Como era Seu costume, resolveu passar em Betânia, onde tantas vezes havia descansado das lutas diárias. As horas daquele sábado, passou-as Ele com seus amigos naquela aldeia que distava apenas 3 quilômetros de Jerusalém.
     Em Betânia, pelo menos duas famílias tinham bons motivos para agradecer muito a Jesus. Ali Jesus havia curado da lepra um homem de nome Simão. Ali, poucos dias antes, Jesus realizou aquele que foi Seu mais importante milagre: a ressurreição de Lázaro. Tudo isto contribuiu para transformar a atmosfera do povoado.
     A comunidade recebeu de volta dois dos seus cidadãos. A família de Simão estava feliz e as irmãs de Lázaro puderam enxugar suas lágrimas. Tudo era marravilhoso Tudo era alegria! Por causa do que aconteceu, Simão resolveu oferecer em sua casa uma festa de gratidão, um banquete. Jesus estava hospedado ali perto, na casa de Lázaro e fi o vconvidado de honra.
    Diz a Bíblia que “Marta servia”. Eu posso imaginar aquela mulher, verdadeira dona de casa, terna e prática, servindo o Mestre com dedicação e carinho. E também havia a outra moça, sua irmã, de nome Maria. Esta já não era tão prática quanto sua irmã. Aliás, tudo que lemos sobre ela nos leva a concluir que era um pouco sentimental. Talvez o correto fosse dizer: romântica.
     Maria olhou ao redor. Viu a irmã toda atarefada e Lázaro sentado calmamente no salão junto com os outros convidados e o Senhor Jesus. Sem que percebesse, cenas da sua vida passada começaram a invadir rapidamente seu pensamento. Em questão de segundos recapitulou sua vida pregressa. Lembrou-se da vida desregrada que levara até pouco tempo antes, caindo tão fundo na lama do pecado que até então muitos olhavam-na com reservas. Lembrou-se de como seu corpo e sua mente caíram totalmente sob o controle de Satanás, chegando a ser habitação de demônios. Quão grande pecadora tinha sido! Quão longe andara dos caminhos de Deus!
     Mas, lembrou-se também da maneira tão misericordiosa como Jesus a libertara, expulsando sete demônios que dominavam sua vida. Lembrou-se, agradecida, da plena restauração ocorrida em seu viver, quando Jesus, erguendo-a do desespero e da ruína, perdoara seus pecados, dando-lhe um novo coração. Lembrou-se do grande amor de Jesus ao ressuscitar seu irmão. E lágrimas de alegria banhavam-lhe as faces ao recordar tudo isto!
     Ela se lembrou de um perfume caríssimo que possuía. Algum tempo antes ouvira Jesus falar que brevemente morreria. Com tristeza no coração comprou aquele perfume para ungir o corpo do Mestre, quando morresse. Mas agora as coisas pareciam estar mudando, pois muitas pessoas estavam falando que Jesus seria coroado Rei.
     Agora ali estava ela, com o coração completamente restaurado, embora ainda vista com desconfiança por alguns. Mas não importava o que os outros continuavam pensando a seu respeito. O que realmente importava era o que Jesus havia feito por ela e por seu irmão. Agora sua alma estava cheia de reconhecimento.
     Mas será que Jesus sabia o quanto ela O amava? Como poderia demonstrar-Lhe todo o seu agradecimento?  Ora, Jesus havia feito tanto por ela, e, se agora Ele seria Rei, ela queria ser a primeira a honrar seu Senhor.
     Quebrando o vaso de alabastro, derramou aquele perfume caríssimo sobre a cabeça e os pés de Jesus, demonstrando sua gratidão por tudo o que recebera do Senhor. Ao fazer isto, ela estava dando tudo de si sem pensar em mais nada. O amor não faz cálculos.
     Já ouviu a história daquele casal muito pobre que se amava muito?  Eles não possuíam quase nada deste mundo. Mas a jovem esposa tinha longos e belos cabelos. A única coisa que seu jovem marido possuía era um relógio de ouro que recebera como herança do seu pai. E eles se amavam demais!
     Era véspera de Natal e a esposa queria dar ao marido um belo presente, mas tinha apenas um dólar. Então ela foi a uma loja de perucas e vendeu-lhes sua bonita cabeleira, conseguindo vinte dólares. Como foi difícil cortar o cabelo! Mas pelo esposo ela faria qualquer sacrifício. E com o dinheiro ela comprou uma corrente de ouro para o relógio do marido.    
     Enquanto isso, o esposo que também queria presentear sua esposa, também estava sem dinheiro. E foi com muita dor no coração que ele vendeu seu relógio para comprar um presente para sua amada. Com o dinheiro ele comprou duas belíssimas travessas de marfim para embelezar seus cabelos. E pensava: ela vai ficar ainda mais bonita!
     Mas, à noite, quando se encontraram em casa, ele viu que sua amada esposa já não possuía os longos cabelos para usar as travessas de marfim. E ela o presenteou com uma corrente de ouro para um relógio que ele já não possuía.
     Lágrimas? Com certeza foram derramadas muitas! De decepção? De arrependimento? Não! As lágrimas que molharam aqueles dois corpos unidos num forte abraço eram lágrimas de alegria. As lágrimas que inundaram aqueles dois corações eram de agradecimento a Deus pelo amor que os unia, a ponto de cada um dar tudo de si para o outro, sem pensar no preço ou nas consequências. Eles se amavam de uma forma extravagante!
     Voltando à festa na casa de Simão. Maria derramou tudo aos pés de Jesus sem se preocupar com o preço (300 dias de salário de um operário). Ela não pensou em nada. Foi um gesto extravagante, mas ela queria apenas expressar com ele o seu amor, o quanto devia a Jesus: seu coração, sua restauração, tudo enfim. Foi uma demonstração tão profunda que tocou o coração de Jesus.
     Ela fez tudo de uma forma tão desprendida que nem se preocupou com as outras pessoas que estavam no salão. O amor, às vezes, se apega tanto à pessoa amada, que se esquece de tudo o mais.
     O certo é que Maria fez tudo sem nenhum constrangimento. Até soltou os cabelos para enxugar os pés de Jesus. Não importava se outros iriam criticá-la ou não. O que importava era Jesus, que tanto fizera por ela e por seu irmão.
     Mas nós não podemos hoje pensar apenas no que Maria fez. Na verdade, o próprio Jesus fizera muito mais do que aquilo. Foi Ele que, num gesto de extrema extravagância deixou Sua glória e “a Si mesmo Se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-Se em semelhança de homens”. (Filipenses 2:7). Esta foi a maneira mais extravagante de amar que se conhece.
     Este amor de Jesus O levou até as últimas consequências: o sofrimento e a morte na cruz, por mim e por você. Sendo um homem perfeito, foi tratado como um criminoso. Pregado na cruz completamente nu, envergonhado, em absoluta solidão, para que pudesse remir com Seu sangue um mundo solitário, envergonhado e nu.
     Alguém escreveu que “se quiséssemos uma acusação para escrever na cruz de Jesus, a única que serviria era: Ele amou demais”. Qual foi a culpa de Jesus? Amar além dos limites cconhecidos pelo homem. Para ser condenado, a única acusação verdadeira pra Jesus seria esta: "Culpado por amar em extravagância".
     Maria conhecia a Jesus. Por experiência própria já experimentara o Seu amor. E por esse amor ela foi contaminada. O que fez naquele dia, portanto, não foi nada mais que uma reação positiva ao amor do Senhor Jesus. Acho bonito quanto João diz que “a casa toda ficou perfumada”.
     Um dia, faz muito tempo, Deus mandou que o profeta Jeremias descesse até onde estava um oleiro fazendo seus vasos. Lá ele viu que um vaso se estragou na mão do oleiro. Imediatamente o homem ajuntou o barro e fez outro vaso, de acordo com sua vontade. Deus então disse a Jeremias que assim como o vaso na mão do oleiro, assim também somos nós em Suas mãos.
     O Pr. José Monteiro foi professor do meu pai. Durante uma viagem ele sofreu um acidente que quase o matou. Foi um dos homens mais capazes e inteligentes que meu pai conheceu. Depois do acidente ele se esqueceu de mais ou menos 90% do que sabia. Para se  ter uma idéia, antes do acidente ele fez o casamento dos meus pais. Hoje ele não sabe quem são eles mais!
    Pois bem, num retiro espiritual, ele estava orando com o meu pai e mais um companheiro, quando disse mais ou menos assim: “Senhor Deus, eu era um vaso escolhido em Tuas mãos e pela Tua graça muitas coisas pude fazer na Tua obra. Mas agora achaste por bem quebrar este vaso. E quão despedaçado ele ficou, Senhor! Neste momento eu Te imploro, ó Deus, se for da Tua vontade, ajunta estes cacos e faz de mim um novo vaso escolhido para o Teu serviço. Amém!”.
     Jesus, certa vez, falando de Si mesmo como a Pedra principal, disse que “todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços”. (Mateus 21:44). Se nós nos deixássemos cair sobre esta Pedra para que o vaso da nossa vida ficasse em pedaços e, se em consequência, a nossa vida fosse derramada completamente aos pés de Jesus, eu penso que terminaríamos a pregação do evangelho com mais facilidade e Jesus voltaria logo. Porque quando alguém derrama tudo o que é e tudo o que tem aos pés do Senhor, uma coisa maravilhosa acontece: sua vida é liberada e torna-se uma bênção para o mundo inteiro. Isto porque todos sentirão o perfume da vida que é derramada aos pés de Jesus.
     Pode ser que isto incomode a alguns. Talvez seus colegas de sala de aula fiquem incomodados. Talvez os companheiros de serviço ou quem sabe, até mesmo os vizinhos. Mas não se preocupe. Eles poderão ficar incomodados, mas não poderão deixar de sentir o perfume da sua vida! É isso mesmo! Lembre-se que Judas também não gostou do que Maria fez, mas não pode deixar de sentir o perfume.
     É possível que sua vida hoje esteja exalando um cheiro de morte para morte. Mas Jesus deseja remodelar o vaso da sua vida como fez com Maria. Jesus deseja fazer hoje uma transformação tão completa em sua vida a ponto de você exalar um aroma de vida para vida.
     Despedaçados em Cristo e remodelados por Cristo, finalmente poderemos ser “como o perfume suave de Cristo” a se espalhar entre todas as pessoas ao nosso redor, abençoando-as com o conhecimento salvador do Nosso Senhor Jesus Cristo.

4 de ago de 2011

AS QUALIDADES DA BOA MÚSICA

          Tenho estudado alguns temas com mais intensidade e um deles é sobre a ADORAÇÃO. Descobri um capítulo precioso no livro Evangelismo de Ellen G. White. Trata-se do capítulo 15 intitulado "Evangelismo do Canto". Dentre algumas partes muito importantes que tratam sobre adoração, tradição e propósito do culto, esta abaixo fala sobre os exageros nas apresentações musicais em geral. Aproveite e reflita!

 As Qualidades da Boa Música
          "Pode-se fazer grande aperfeiçoamento no canto. Pensam alguns que, quanto mais alto cantarem, tanto mais música fazem; barulho, porém, não é música. O bom canto é como a música dos pássaros - dominado e melodioso. Tenho ouvido em algumas de nossas igrejas solos que eram de todo inadequados ao culto da casa do Senhor. As notas longamente puxadas e os sons peculiares, comuns no canto de óperas, não agradam aos anjos. Eles se deleitam em ouvir os simples cânticos de louvor entoados em tom natural. Os cânticos em que cada palavra é pronunciada claramente, em tom harmonioso, eles se unem a nós no cântico. Eles combinam o coro, entoado de coração, com o espírito e o entendimento". Manuscrito 91, 1903.
Ellen G. White, Evangelismo, p. 510.

SOZINHO NA BRECHA

Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse, mas a ninguém achei”. Ezequiel 22:30.
Nos tempos do profeta Elias...
Ainda hoje encontramos pessoas que ficam na brecha, aquelas pessoas que ainda lutam para nos manter acordados. Homens e mulheres de coragem, prontos para se levantarem e cumprirem a missão. Heróis modernos e autênticos.
Elias, Davi, Ester, Moisés e José, ao lado de Knox e outros, não tinham sequer um osso fraco em seus corpos. Eram homens e mulheres que queriam permanecer firmes contra as forças mais poderosas de seus dias, sem relutar ou ter qualquer empecilho para proclamar o nome do Senhor.
A busca continua. Nosso Senhor ainda está procurando pessoas que façam diferença. Os cristãos ousam não ser medíocres. Ousamos não sumir contra a cor do fundo ou nos misturar com o cenário neutro deste mundo. Às vezes é preciso acompanhar muito de perto e conversar por um longo tempo até que uma pessoa resolva declarar sua fidelidade a Deus. Às vezes é preciso procurar por muito tempo e com bastante cuidado para encontrar alguém que tenha a coragem de se levantar em nome de Deus. É isso o que criamos nesta época de tolerância e comprometimento?
A vida do profeta Elias nos ensina o que o Senhor quer de nós. Quero, agora, propor algumas lições podemos extrair da vida deste profeta.
A primeira delas é que Deus busca pessoas especiais em tempos difíceis. Deus precisava de um homem especial para jogar luz na escuridão daqueles dias. Mas Deus não encontrou este homem no palácio ou na corte. Não o encontrou andando de cabeça baixa na escola de profetas. Ele nem mesmo o encontrou nas casas das pessoas comuns. De todos os lugares onde procurou, Deus o encontrou em Tisbé. Um homem que se colocaria na brecha não poderia ser alguém delicado e manso: ele tinha de ser um durão.
Deus procurou alguém que tivesse uma espinha dorsal capaz de mantê-lo ereto. Alguém que tivesse a coragem de dizer: “Está errado!” Alguém que pudesse ficar ao lado do idólatra e dizer: “Deus é Deus”.
Em nossa cultura – nossas escolas, escritórios, fábricas, refeitórios, salas de reunião, corredores ou tribunais – precisamos de homens e mulheres de Deus, jovens de Deus. Precisamos de profissionais, atletas, pedreiros, professores, figuras públicas e cidadãos comuns responsáveis que promovam as coisas de Deus, que fiquem em pé – eretos, fortes, firmes diante de Deus!
Qual é a estatura de sua integridade? Você corrompeu seus princípios apenas para permanecer nos negócios? Para conseguir uma boa nota? Para fazer parte do time? Para estar com o pessoal in? Para subir um posto na hierarquia? Você fechou os olhos e os ouvidos para a linguagem ou o comportamento que há alguns anos o deixariam corado e horrorizado? Será que agora, neste exato momento, você não está moralmente comprometido porque não quer ser tachado de puritano?
Aqueles que encontram conforto na corte de Acabe nunca se colocarão na brecha com Elias.
A segunda lição é que os métodos de Deus normalmente são surpreendentes. Deus não levantou um exército para destruir Acabe e Jezabel. Também não mandou um príncipe cintilante para defender a Sua causa ou tentar impressionar suas reais majestades. Ao invés disso, Deus fez o inimaginável: escolheu alguém como Elias!
Você está pensando agora mesmo que haveria outra pessoa mais bem qualificada para aquela curta missão? Para aquele grupo de treinamento em liderança? Para aquele culto na igreja?
Você é uma esposa e dona-de-casa que sente que sua contribuição para o reino de Deus é desprezível? Você vê outras pessoas como especiais ou chamadas ou ainda que elas têm o dom?
Você pode estar perdendo uma oportunidade de ministério bem diante de seus olhos. É bem possível que você esteja exatamente no meio de um ministério e não se tenha dado conta disso (que maior ministério pode haver, por exemplo, do que o de uma esposa e mãe que seja fiel e amorosa?). Seu ministério pode envolver apenas duas ou três pessoas e nada mais. Não despreze isso.
Os métodos de Deus são sempre surpreendentes. Na verdade acho que, às vezes, eles são até ilógicos. Eles realmente não fazem muito sentido para nossas mentes finitas. Os irmãos de Davi riram quando ele disse que se colocaria diante de Golias. Já parou para pensar em Josué, andando em volta das muralhas de Jericó, tocando aquelas trombetas? Que negócio esquisito, não?
E a terceira e última lição que desejo propor, nesta reflexão,  da vida de Elias é que nós é que nos colocamos diante de Deus. Quando você se coloca na brecha está, em última análise, se colocando diante de Deus. Estaremos prontos ou desejosos de nos colocar diante de Deus quando ele nos chamar? Será que encontrará em nós corações completamente entregues a Ele? Será Ele capaz de dizer: “Sim, este coração é completamente meu. Sim, ele está suficientemente comprometido comigo, de modo que posso usá-lo contra um Acabe qualquer. Este é o tipo de devoção que estou procurando?”.
Se seu cristianismo não coloca este tipo de aço em sua espinha dorsal, este tutano em seus ossos, há alguma coisa terrivelmente errada, seja com a mensagem que você está ouvindo, seja com seu coração. Deus está buscando homens e mulheres cujos corações estejam completamente entregues a Ele, que não se misturem com o cenário à sua volta.
Quando Charles estava no colegial, uma de suas matérias preferidas era teatro. Havia em seu grupo de teatro um colega ruivo chamado Sam que era tão bom em tudo o que fazia que ofuscava todo o restante da turma. Ele realmente era muito bom e logo se tornou objeto de ciúme entre os diversos canastrões da classe. Este problema cresceu tanto que na época da peça de conclusão de curso, no último ano de Sam, o diretor, que já estava sendo suficientemente bombardeado, disse afinal: “Tudo bem, vou dar-lhe o papel do mordomo”.
Veja bem. O mordomo não tinha uma linha sequer de fala em toda a peça. A única coisa que ele tinha fazer era ficar em pé no mesmo lugar em todos os atos e todas as cenas da peça. Não há muito o que fazer num papel desses, certo?
Bem, adivinhe só: Sam conseguiu o prêmio de melhor ator nas peças de formatura. Ele não falou uma frase, mas mostrou uma enorme variedade de expressões – movimentos, caretas, caras e bocas. Na verdade, a peça teria sido um fiasco se não fosse sua atuação. Mesmo sendo um mordomo, sem uma linha de texto para falar, ele não se deixou misturar ao cenário, anulando-se.
Quando se trata de manter-se em pé pela verdade, não há papel na vida que não tenha sua importância.
Que papel Deus lhe deu? Seja qual for, ele está dizendo: “Você está se colocando diante de mim e eu quero usar você. Quero usá-lo como meu único porta-voz em seus dias e em sua geração, neste momento e nesta época”.
Elias, aquele caipira bronco esquisito, surgido de lugar nenhum que, de repente, pisa nas páginas da história, é uma testemunha viva do valor de uma vida completamente dedicada a Deus. Um homem desconhecido que veio de um fim de mundo qualquer, chamado para se levantar contra o mal no mais violento, turbulento e decadente dos tempos.
Dê uma olhada em volta. As necessidades ainda são grandes e Deus ainda está procurando pessoas.

31 de jul de 2011

LUGARES DE REFÚGIO

Um homem se converteu depois de viver durante muitos anos uma vida totalmente desregrada. Mas ao vir para a Igreja ele não encontrou amor, amizade, companheirismo, etc., e depois de algum tempo voltou a viver como antes. Interrogado sobre o assunto, ele disse: “... sentia muita falta do velho companheirismo com os caras do grupo, no barzinho da esquina. A gente ficava lá sentado, ria, contava casos, bebia umas cervejas e relaxava ... era maravilhoso! Na igreja não encontrei ninguém a quem pudesse contar meus problemas, para falar dos meus erros. Não encontrei ninguém na igreja que se dispusesse a passar o braço pelo ombro da gente e dizer que está tudo bem. Eu me senti muito sozinho dentro da igreja”.
A nossa igreja precisa deixar de ser um santuário admirado somente pela sua arquitetura e ser mais como um hospital bem procurado, um lugar onde as pessoas possam trazer seus sofrimentos e angústias, um lugar onde as feridas da nossa vida possam ser curadas.
Será que aquele homem estava dizendo uma mentira? Pense comigo e responda para você mesmo: A quem você procura nos momentos de desespero? A quem recorremos quando nos envolvemos em algum problema mais grave? Quem nos ama o suficiente para ouvir nosso pranto? Quem nos conforta quando nos sentimos esfacelados? Quem é que sabe ficar de boca fechada e coração aberto? Quem é que nos abraça com uma atitude de compreensão, e espera com paciência até que nos sintamos melhor, sem ficar citando versos bíblicos, quando o que mais merecemos é um puxão de orelhas? Quem age assim sem nos dar logo um livro do Pr. Bullón ou um DVD dos seus sermões para lermos ou ouvirmos?  Quem é que nos ouve sem contar nossos problemas para uma porção de irmãos, para que eles possam orar também?
Nossa igreja precisa ser como um abrigo para as vítimas de uma enchente, onde as pessoas possam encontrar aconchego, amizade e amor.
Alguém disse certa vez que “os bares estão cheios, não é porque as pessoas em sua maioria sejam alcoólatras mas, sim, porque Deus colocou no coração do homem o desejo de conhecer e ser conhecido, de amar e ser amado. E muitos vão atrás de uma falsa realização assim, porque sabem que precisam apenas gastar algum dinheiro com um pouco de bebida!”. Nossas igrejas não estão sendo um abrigo para as pessoas que se sentem desamparadas.
O que você precisa quando uma desgraça deste tamanho afeta você ou sua família? Você precisa de um abrigo. De pessoas que saibam ouví-lo, ajudá-lo e conduzí-lo mais uma vez ao Pai de misericórdia e Deus de toda consolação! Pois afinal é Deus que nos conforta em toda a nossa tribulação.
Dizem que o cristianismo é um exército poderoso, mas a grande verdade é que muitas vezes tratamos nossas tropas de maneira muito estranha, pois somos o único exército que conheço que fuzila os seus feridos. Em suma, aquele homem que abandonou a igreja estava cheio desse negócio de ser fuzilado.
O Salmo 31 é um daqueles hinos antigos com letra muito atual. Davi o escreveu num momento em que não tinha em quem se apoiar. Estava com problemas sérios. Precisava de um abrigo. E como não havia ninguém mais a quem recorrer, olhou para o alto.

Em ti, Senhor, confio; nunca me deixes confundido. Livra-me pela tua justiça. Inclina para mim os teus ouvidos, livra-me depressa; sê a minha firme rocha, uma casa fortíssima que me salve”. Salmo 31:1 e 2.

Ele precisava de um lugar seguro, lugar de proteção, um esconderijo. Mas por que Davi precisava de um refúgio? Pelas mesmas razões que hoje nós também precisamos. No Salmo 31 ele menciona várias razões, entre elas a sua tribulação, o seu pecado e seus adversários. Quando estamos atribulados, a tristeza está sempre ao nosso lado.

Tem misericórdia de mim, ó SENHOR, porque estou angustiado. Consumidos estão de tristeza os meus olhos, a minha alma e o meu ventre. Porque a minha vida está gasta de tristeza, e os meus anos de suspiros; a minha força descai por causa da minha iniqüidade, e os meus ossos se consomem”. Salmo 31:9 e 10.

Ele diz que seus olhos se consomem pelo choro. Sua vida está sendo consumida pela tristeza. Tudo sombrio. Os dias se arrastavam penosamente e não havia esperança de que o amanhã fosse melhor. As pessoas costumam dizer que são os dias cinzentos da nossa vida.
Lendo o verso 10, descobrimos que quando estamos em pecado, somos atormentados pelo sentimento de culpa, vergonha, constrangimento. Davi confessa que está doente por causa dos seus pecados. Se já é ruim se sentir assim tão mal, imaginem a pessoa reconhecer que grande parte é culpa sua, que tinha feito a cama e agora teria que deitar-se nela? E qual de nós nunca se viu numa situação assim?
Mas além da tribulação e do sentimento de culpa, Davi menciona uma terceira razão para buscarmos um refúgio: seus adversários.

Fui opróbrio entre todos os meus inimigos, até entre os meus vizinhos, e horror para os meus conhecidos; os que me viam na rua fugiam de mim. Estou esquecido no coração deles, como um morto; sou como um vaso quebrado. Pois ouvi a murmuração de muitos, temor havia ao redor; enquanto juntamente consultavam contra mim, intentaram tirar-me a vida”. Salmo 31:11 a 13.

Observem como são tratados aqueles que estão sofrendo:
- “Tornei-me espanto para os meus vizinhos” = ridicularizado.
- “Horror para os meus conhecidos” = criticado.
- “Os que me vêem na rua fogem de mim... esquecido como um vaso quebrado” = rejeitado.
- “Tenho ouvido a murmuração de muitos” = mexericos.
- “Tramam tirar-me a vida” = ameaças.
E ainda temos coragem de reclamar da vida. Davi estava como um pequeno rato ferido, preso nas garras de um imenso gato faminto. Chutado, socado, agredido verbalmente, apavorado de medo, com sua vida por um fio. Talvez você também se sinta na mesma situação. Se já é ruim lutar com a tristeza e viver com o sentimento de culpa, pior ainda é receber a condenação dos outros, das línguas ferinas e dos olhares acusadores. Ou pior ainda, o silêncio: um telefonema amigo que não vem, os abraços de conforto que não recebemos, como fazem falta! Como precisamos de pessoas amigas e de lugares de refúgio!
Quando o povo de Israel tomou posse da terra prometida e a terra foi dividida entre as tribos, Deus não ignorou as pessoas necessitadas. Ele instruiu a liderança do Seu povo para estabelecer cidades de refúgio, que eram locais para onde iam as pessoas que matavam alguém involuntariamente. No sistema estabelecido por Deus, todo cuidado era tomado para que o homicida pudesse chegar com segurança à cidade de refúgio, onde ele estaria livre daqueles que assumiam a tarefa de vingar a morte de um ente querido. Em Josué 20 e Números 35 encontramos tudo isso em detalhes.
As cidades designadas para servirem de refúgio eram: Quedes, Siquém, Quiriate-Arba, Bezer, Ramote e Golã. Talvez você nunca ouviu falar desses lugares. Mas todos já ouviram falar das nossas cidades, principalmente as maiores. Será que elas são lugares de refúgio para nós? Será que ( ________ ) é um local onde as pessoas se preocupam com os sofredores; que se interessam por eles o suficiente para ouví-los, para ajudá-los a sobreviver, para promover sua completa restauração? Será esta nossa cidade uma cidade de refúgio? Provavelmente não! Infelizmente a verdade é que hoje não existem mais cidades que sejam apontadas como cidades de refúgio. Nem grandes nem pequenas. Mas dentro das nossas cidades há locais muito importantes que deveriam ser verdadeiros portos de esperança. Nossa igreja é um desses lugares.
Não estou me referindo ao templo. Estou falando de pessoas. Pessoas verdadeiramente cristãs, que saibam amar como Jesus amou.
Poderíamos chamar hoje a nossa igreja de abrigo para as vítimas de uma enchente? Hospital para os que sofrem? Clínica especializada em corações aflitos, sonhos desfeitos e almas destroçadas?
O que é necessário para que isso ocorra?Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos. Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade”. I João 3:16 a 18.
Se quisermos levar a sério estas palavras, temos que aceitar o que está implícito nelas: (1) a disposição de ter trabalho com uma pessoa em dificuldade, (2) uma atitude de terna compaixão para com os necessitados, e (3) estar pronto a ajudar os outros da maneira mais prática possível.
Já chega de as pessoas necessitadas de um local de refúgio procurarem abrigo no barzinho da esquina mais próxima! Está na hora de fazermos com que a Igreja de Jesus Cristo – a família de Deus – se transforme num lugar de refúgio para os aflitos e desesperados. Está na hora de erguermos bem alto a lâmpada do perdão, a tocha da graça divina que um dia foi estendida aos pecadores.
Finalizo com um poema que está gravado numa placa de bronze, na base da Estátua da Liberdade, nos EUA:

“Diferente do gigante grego de bronze
que com pernas separadas, liga uma ponta de terra a outra,
aqui, em nossos portões banhados de mar, está
uma grandiosa mulher, segurando uma tocha, cuja chama
é como um raio de esperança, e seu nome
Mãe dos exilados. Em sua mão, que é um farol,
brilha um acolhimento universal; seus olhos mansos dominam
toda a baía que emoldura a cidade.
Mantenham, terras antigas, seu eterno esplendor.
Entreguem-me os cansados, os pobres,
as multidões sem rumo, desejosas de respirar livremente,
os infelizes refugos de suas cidades superlotadas.
Mandem para mim os desterrados, os vitimados pela tormenta.
Com minha lâmpada, ilumino os portões dourados”. Emma Lazarus.

Será que esta inscrição poderia ser colocada na fachada da nossa Igreja?
Será que poderia ser colocada na fachada da nossa casa?
Será que este poema poderia ser colocado na fachada do nosso coração?